CINE TROPPO - SEMANA DE 12 À 18/08/11



CINE TROPPO
Marco Antonio Moreira Carvalho

Lançamentos da Semana
Caso não haja alterações de última hora, a estréia da semana é “A Árvore da Vida” e “Super 8”.
“A Àrvoré da Vida” é o novo filme do cineasta Terrence Malick (Cinzas do Paraíso/Além da Linha Vermelha/Terra de Ninguém) e é um dos filmes mais esperados do ano.”A Árvore da Vida” aproxima o foco na relação entre pai e filho de uma família comum, e expande a ótica desta rica relação, ao longo dos séculos, desde o Big Bang até o fim dos tempos, em uma fabulosa viagem pela história da vida e seus mistérios, que culmina na busca pelo amor altruísta e o perdão. 'A Árvore da Vida' é uma obra de autoria do próprio Malick. Ele planeja produzir o filme desde 1970, mas somente em 2005 conseguiu verba para levar o filme às telas.No elenco, Brad Pitt, Sean Penn, Joanna Going, Fiona Shaw, Pell James, Crystal Mantecon, Jessica Chastain e Lisa Marie Newmyer.
“Super 8” tem na direção J.J. Abrahams (Lost/Missão Impossível 3/Star Trek) e produção de Steven Spielberg. O filme se passa 1979 e acompanha um grupo de seis jovens que estão usando uma câmera Super 8 para fazer seu próprio filme de zumbis. Numa fatídica noite, o projeto os leva para um solitário trecho de trilhos rurais, onde um caminhão colide com uma locomotiva em sentido contrário e um descarrilamento enche a noite com uma chuva de fogo. Então, alguma coisa emerge dos escombros, algo decididamente desumano. No elenco, Kyle Chandler, Elle Fanning, Ron Eldard, Noah Emmerich, Joel Courtney e Riley Griffith.

QUADRO DE COTAÇÕES / ACCPA
MARCO MOREIRA/PEDRO VERIANO/LUZIA ÁLVARES
“Harry
Potter 7” Bom/Bom/Bom
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“Assassinato” Muito Bom/Bom/Muito Bom
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“Poesia”
(DVD) Excelente/Excelente/Excelente
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“Capitão
América” -/Razoável/Razoável
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“O
Mágico” Excelente/Muito Bom/Muito Bom
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“A Casa” -/Razoável/Razoável
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SUPERNOVAS
-Traduzido para vários idiomas, 'Capitães da Areia', escrito em 1937, foi o livro de maior sucesso de Jorge Amado, morto em 2001, e que em 2012 completaria 100 anos de idade. A historia de um grupo de meninos abandonados que juntos descobrem a vida nas ruas de Salvador dos anos 30 chega em outubro às telas de cinema sob a direção de Cecilia Amado, neta do escritor baiano.'Capitães da Areia' marca não só a estreia de Cecilia na direção de filmes de longa-metragem como também será o primeiro evento para celebrar 100 anos de Jorge Amado, que vai incluir de exposição a musical sobre a vida do baiano. A trilha sonora do longa é assinada por Carlinhos Brown. O elenco-mirim é formado por garotos da comunidade de Salvador, que passaram por mais de dois meses de preparação, sob a responsabilidade do preparador de elenco Christian Duurvoort (Ensaio Sobre a Cegueira). A estreia acontece dia 14 de Outubro.
-Jennifer Grey, estrela do 'Dirty Dancing - Ritmo Quente' original, falou sobre o remake, que foi confirmado há dois dias."Estou muito animada com essa novidade e acho que não existe ninguém melhor que meu querido Kenny Ortega para dirigir esse remake. Mal posso esperar para ver o que ele pode fazer", revelou ao Wall Street Jornal. Kenny Ortega, que comandou os três 'High School Musical' e 'Michael Jackson - This Is It', foi contratado para dirigir o remake. Curiosamente, Ortega foi coreografo do original.
- Esta semana, a Justiça Federal em Belo Horizonte conseguiu novamente a proibição do filme “A Serbian Film”. A assessoria do Ministério Público Federal (MPF) revelou que a proibição do filme será em todo o território brasileiro."O longa-metragem contém cenas que simulam a participação de recém-nascido em cena de sexo explícito ou pornográfica, além das que mostram sexo explícito, crueldade, elogio/banalização da violência, necrofilia, tortura, suicídio, mutilação, agressão", revelou o órgão.Motivo de polêmica em vários países pelo seu conteúdo extremo, A Serbian Film seria lançado no Brasil pela jovem distribuidora Petrini Filmes, sediada em São Luiz do Maranhão. O lançamento estava previsto para 26 de agosto.
- O diretor Robert Rodriguez voltou a falar sobre o enrolado 'Sin City 2' e 'Machete Kills', sequência de 'Machete'."Sin City 2 está acontecendo. Estamos finalizando o roteiro, e já conseguimos financiamento. Temos tudo que precisamos para começarmos a filmar, assim que o roteiro estiver pronto", revelou."Machete 2 também.. Já temos a verba, e estamos esperando o roteiro para começar a rodar", finalizou. 'Sin City 2' será rodado à partir de um roteiro original de Frank Miller, que também trabalhará na direção ao lado de Robert Rodriguez. O primeiro filme foi baseado na graphic novel 'Sin City'.
- Escrevo a coluna esta semana da cidade de Gramado/RS, devido a cobertura que estou fazendo do 39º Festival de Gramado. Na semana que vem, estarei fazendo um resumo de todos os filmes vistos no festival.
- A ACCPA (Associação dos Críticos de Cinema do Pará) tem um site à disposição do internauta: www.accpara.com.br . No site da ACCPA, tem a programação dos cinemas comerciais e alternativos, críticas, calendários de estreias, enquete, etc..
*Acesse “Odisséia”, meu blog sobre cinema e outros assuntos no endereço http://www.marcoantoniomoreira.blogspot.com/.
* Meu Twitter: www.twitter.com/marcomoreira_


Críticas/Cinema
“A ÁRVORE DA VIDA”

CINEMA SENSORIAL
Há um provérbio hindu que traduz a realização da vida de um homem pelo plantar de uma arvore, escrever um livro e gerar um filho. A família O’Brien de “A Árvore da Vida”, no enfoque do patriarca (Brad Pitt), estaria realizada se ele conseguisse ser um musico, como desejou na adolescência. Não conseguiu por questões financeiras e o emprego adquirido é por ele mencionado como o do naval que trabalha na construção de um navio mas não vê quando este navio chega ao mar. Instável, o emprego pode acabar. E a arrogância adquirida na educação da primeira metade do século XX gera certas animosidades, em especial em um dos 3 filhos.
Mas “A Árvore da Vida”(The Tree of Life), filme de Terrence Malick com fortes raízes biográficas, não conta a história de Mr. O’Brien nem de sua mulher(Jessica Chastain), nem dos rebentos(todos homens). No máximo retrata o que o autoritarismo causa no primogênito para onde tudo é exigido. O que o filme quer dizer é o que pode fazer sentir. O cineasta procura uma assertiva cientificamente correta: a sensibilidade independe da racionalização. Não se racionaliza qualquer sentimento. E o amor é o que constrói, guardado como o elemento mais próximo da perfeição que os seres vivos adquiriram na história da evolução das espécies.
A espécie de prólogo com imagens que se pode achar uma com concepção do “big bang” (a explosão inicial que gerou o universo), passando pelas primeiras células e animais aquáticos, ganha corpo com a percepção darwniana de que sobrevivem os mais fortes (um animal pré-histórico pisa na cabeça de outro) e ao chegar ao ser humano escora na constituição do núcleo familiar e tenta dimensionar o quanto este é abalado quando perde um membro.
Não interessa quem dos 3 filhos dos O’Brien morreu aos 19 anos. Percebe-se por flash-backs econômicos (pelo menos na montagem que ficou para os cinemas comuns) que não foi o mais velho, Jack (Sean Penn). Ele é visto adulto, cercado de prédios, de linhas retas que se tocam formando diversas estruturas que esmagam a sensibilidade, fugindo, quando pode, ou acha que pode (ao falar de amor a alguém), para bosques e rios, pedras e relvas, deixando-se focar muitas vezes em contre-plongée a seguir as árvores gigantescas que dão a idéia de como a evolução galgou espaço no planeta.
Malick fez um poema corajoso na tradução por imagem. Não há uma cronologia de seqüências, o tempo desimporta como desimportam as definições de sentimentos ligados às recordações. Tudo o que se vê é para ser sentido, não necessariamente entendido. Se alguém quiser achar alguma influencia, ou inspiração, pode notar o “2001” de Kubrick, também uma abordagem na escala evolutiva. Mas ali se racionalizava a origem das espécies até chegar ao super-homem de Nietzsche, citando-se (até na musica de Richard Strauss) o “Assim Falou Zaratustra”(Also sprach Zaratustra) . Com Malick não há uma citação filosófica especifica. As imagens que lembram os filmes de Norman McLaren querem apenas chegar ao cérebro do espectador como estimulo à sensibilidade, quem sabe à produção de endorfina. Nesse ponto o novo filme diverge completamente de experimentalistas de cinema como Godard. Ali se racionaliza o desmontar da linguagem fílmica; aqui se lança esse desmonte como um recurso emotivo. Malick poderia mostrar outras pessoas em outras situações se quisesse ficar no impacto da analogia entre a engenharia do ser e a constatação de abandono quando este ser está sendo produzido. Mas ele mostra a família, o amor filial. E aí consubstancia a importância do amor, falada por um personagem durante a abordagem.
Um filme diferente. Talvez o que chega mais próximo do cinema anímico, da tradução por imagem do que “só o coração vê”.
Difícil encontrar exemplo mais criativo. (Pedro Veriano)

UMA ÁRVORE DE GALHOS UNIVERSAIS
Na antevisão da origem da matéria, desde a Grécia Antiga, com presença forte no Ocidente, a teoria dos quatro elementos – agua, terra, fogo e ar – atribuindo-se ora a um ora a outro os estados de mutação dessa matéria, dispõe sobre os processos da existência onde a vida e a morte são/estão energias que constróem o universo.
Dessa perspectiva, Terrence Malick elabora sua visão de mundo na conexão entre a natureza e a graça (a primeira idéia que ele traça quando mostra o nascimento de uma criança e seu processo de crescimento) ao explorar, em “A Árvore da Vida” (The Tree of Life, EUA, 2011), a amplitude do universo onde a força da primeira (natureza) é, ao mesmo tempo, bela e também feroz, é explosiva e também mansa, é multicolorida e ao mesmo sem cor, é fonte de amor, mas também fonte de ódio. Essas emblemáticas imagens vagueiam numa plasticidade exuberante e encontram, no que ele projeta como o dom da graça, a dádiva da vida concedida aos seres vivos com grande significado para a conexão com o amor que é o sentimento único que ele supõe para encontrar maneiras de chegar à felicidade.
São expressões aparentemente vagas para alguns, mas representam a grande ternura que o diretor demonstra para elaborar sua maneira de contemplar os que estão diante da descoberta existencial. Como as leis do universo repercutem no processo autoritário de um pai que mantém a familia sob violenta pressão e exige que seus filhos o amem? Onde a relação entre a criação do universo e a presença dos quatro elementos com aquela familia que se constrói, cria hábitos, afetos, dinâmicas próprias para enfrentar as crises e se vê, em certo momento, diante da morte de um deles? E as perdas materiais, profissionais, o crescimento dos filhos e de seus novos desejos, suas premissas extraidas do cotidiano familiar, como será no futuro? A assepsia da nova vida de um deles, na maturidade sem cor, com altissimo elan no individualismo vertical dos edificios e das paredes lisas e vidros transparentes mostrando todos em caminhadas. Para onde?
Chega o momento do encontro e a praia ou o lugar da água, da terra, do ar, se transformam no fogo interno da energia que energiza quem se ama. A familia se reencontra. O mundo está mais próximo, eles estão felizes. (Luzia Miranda Álvares)

AGENDA
* Cineclube Alexandrino Moreira: O cineclube, em parceria com a ACCPA (Associação dos Críticos de Cinema do Pará) exibirá dia 22/08 a obra-prima de Ingmar Bergman, “A Hora do Lobo”, produção realizada nos anos 60. É um dos grandes filmes deste genial diretor que tem uma filmografia fantástica e que merece ser cada vez mais conhecida.. O filme será exibido às 19h com entrada franca e o tradicional debate entre o público e críticos da ACCPA. .
*Cine Olympia: Em Homenagem ao diretor Alfred Hitchcock, está sendo exibido o clássico “Assassinato”, realizado em 1930, na fase inglesa do diretor. Baseado na peça "Enter Sir John", de Clemence Dane e Helen Simpson, o filme mostra a história de Diana, uma atriz acusada por assassinato e prestes a ser condenada à morte. Ela foi encontrada junto ao corpo de uma colega de profissão. Acometida por uma amnésia, Diana não consegue se lembrar de nada sobre o assassinato, aumentando as suspeitas que recaem sobre ela, ainda que pareçam injusta. “Assassinato” está sendo exibido em sessão única às 18:30 h com entrada franca.
*Cine Estação: A grande atração da semana é o novo filme do mestre Jean-Luc Godard, “Filme Socialismo”. Mais uma batalha de Godard pelo cinema de inovação e de libertação.Godard fez/faz história a cada novo trabalho. Não deixe de ver.

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