FESTIVAL DE PAULÍNIA/SP - 3

FESTIVAL DE PAULÍNIA – 3
Marco Antonio Moreira
Direto de Paulínia – SP

O Festival continua com sua rotina da filmes e coletivas de imprensa. Dia 10, foi exibido um dos melhores curtas : “Café Turco” de Thiago Luciano, falando em duas línguas, mostrando a relação entre um soldado e uma suspeita de terrorismo. Já o documentário “A Cidade Imã” de Ronaldo German, sobre estrangeiros que escolhem o Rio de Janeiro para viver, é longo, repetitivo e quase uma propaganda institucional do Rio. Logo em seguida, foi exibido o curta gaúcho “Trocam-se Bolinhos por Histórias de Vida” de Denise Marchi, que conta a história de uma jovem que vê seu casamento ser cancelado na véspera e resolve se desfazer das coisas feitas para a cerimônia. O longa da noite foi a comédia “Onde está a Felicidade?” de Carlos Alberto Riccelli com roteiro de Bruna Lombardi. Uma tentativa de fazer comédia despojada, como uma mensagem positiva para as pessoas, com influência clara da comédia feita no Brasil nos anos 70 e até mesmo da comédia italiana. O filme é irregular, com bons momentos mais acabou não impressionando a platéia nem a crítica.
No dia 11, os curtas “Argentino” e “Off Making” abriram o dia de exibições sem novidades ou surpresas. Já o documentário “Ibitipoca, Droba pra Lá” de Felipe Scaldini mostra a transformação em pequenas comunidades no entorno da Serra Ibitipoca, em Minas Gerais. O curta principal da noite foi “Qual Queijo Você Quer?” de Cintia Domint Bittar, sobre um casal de idosos que sente a vida passar e num momento de rotina, inicia uma discussão sobre seu passado e futuro. O longa-metragem da noite foi “Os 3” de Nando Olival onde dois rapazes e uma garota se conhecem na universidade e se tornam inseparáveis, vivendo um aventura de busca de identidade, sexo e reafirmação. No elenco, a bela atriz Juliana Schalch. O filme deverá fazer sucesso nos cinemas quando for lançado.
No Dia 12, os curtas “Adeus” de Alessandro Barros (sobre o suicídio) e “Uma Primavera” de Gabriela Amaral mostraram que a seleção de curtas poderia ter sido mais criteriosa. São filmes fracos, sem nada a acrescentar e que passaram sem renhuma reação. Ao contrário do documentário “Ela Sonhou que Eu Morri” que mostra o retrato invertido da globalização narrado por estrangeiros que foram presos no Brasil por tráfico de drogas, com depoimentos interessantes sobre a vida de cada um, desde uma mulher da Hungria que tem uma filha até um jovem espanhol de 21 anos que está preso. Interessante trabalho. Um dos melhores exibidos aqui. Terminando o dia, o longa “Trabalho Cansa”, que é uma mistura de vários gêneros que não chega a lugar nenhum. Uma jovem dona de casa abre um negócio enquanto o marido perde o emprego. Mas coisas estranhas e sobrenaturais começam a acontecer na vida do casal. O filme é confuso, e pretende ser um filme de suspense, terror ou drama? Ficou a pergunta, sem respostas.
Finalmente no dia 13/07, último dia do Festival, foram exibidos o curta “3x4” de Cauê Nunes e “Acabou-se” de Patrícia Baia e logo em seguida o documentário “À Margem do Xingu – Vozes não Consideradas” de Damiá Puig que tenta levantar a discussão sobre a construção da hidrelétrica de Belo Monte mas não consegue ter uma visão geral do problema, deixando de lado muitas questões importantes.O último curta da noite foi o interessante “O Cavalo” de Joana Mariani, bela história que poderia virar um longa. Um dos melhores do festival. Por fim, o melhor de todos. O longa “Febre do Rato” de Claúdio Assis arrasou, conquistou, mexeu com todos. Mais uma prova do cinema forte e pulsante de Assis, misturando vida, sexo, poesia, e morte, num trabalho que vai agradar aos fãs do seu trabalho.
No final da noite, a critica especializada escolheu como melhor longa “Febre do Rato”, melhor documentário “Uma Longa Viagem” de Lúcia Murat e “Tela” de Carlos Nader como os melhores filmes do Festival. Independente da escolha dos jurados, o Festival mostrou que o cinema brasileiro continuando indo em frente, errando e acertando mas agora num ritmo de produção bom que com o tempo poderá mostrar mais talentos e boas produções.
A organização do festival foi perfeita, com muito profissionalismo que serve de referência para outros festivais no Brasil. Vamos aguardar agora o resultado final e parabenizar a cidade de Paulínia pelos altos investimentos no festival, e principalmente no pólo de produção que está desenvolvendo aqui e que está mudando o caminho do cinema brasileiro.

Marco Antonio Moreira
Direto de Paulínia - SP

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

E O FINAL DE "ONDE OS FRACOS NÃO TEM VEZ"

Cine Troppo - De 21 a 27/12/17

Cine Troppo - De 25 a 31/01/18