CINE TROPPO - SEMANA DE 26/04 À 02/5/12

Cine Troppo
Marco Antonio Moreira

Entrevista/ “E Se Vivêssemos todos Juntos?”
No filme “E se Vivêssemos todos Juntos?”, um grupo de cinco amigos de longa data decide lançar-se numa nova aventura, para prevenir os efeitos da velhice: partilhar a mesma casa. Com faltas de memória e problemas de saúde, o grupo decide não se se deixar vencer pelas dificuldades e apostar no projeto de uma casa comum, embora a maior proximidade entre todos ameace levantar velhos conflitos e emergir segredos há muito escondidos. O filme está em cartaz no Cine Líbero Luxardo desde quarta-feira e tem um grande elenco com nomes como Jane Fonda, Geraldine Chaplin e Pierre Richard. A direção e roteiro são de Stéphane Robeli que deu uma entrevista na ocasião do lançamento do filme ao lado de Pierre Richard. Uma história muito atual Stéphane Robelin: O tema de «E Se Vivêssemos Todos Juntos?» é muito dos nossos dias, e tem sido abordado muito pouco. Hoje em dia as populações estão mais envelhecidas , mais as pessoas são muito ativas, há uma nova vida que parece ter-se aberto para as pessoas entre os 60 e os 85 anos que não existia antes. Antes, aos 60 anos ou na idade da reforma, já se era velho e fazia-se pouca coisa, hoje as pessoas nessa idade são muito ativas, fazem muitas coisas. Por isso, há muitas histórias nessa idade para contar, há muitas coisas surpreendentes para explorar, e que contradizem o cliché da velhice que tínhamos na cabeça.
A sexualidade tratada de forma natural
Stéphane Robelin: Para mim, era muito importante abordar a sexualidade porque a ideia aqui era ter personagens principais idosas mais que falassem e vivessem tudo aquilo que é comum em qualquer idade, como sexualidade. Só o tema da morte é que era mais específico, porque naquela idade ela está efetivamente a aproximar-se. A ideia era falar sobre esses temas, e mostrar que por mais que as pessoas possam parecer velhas no exterior, o cérebro que está lá dentro é exatamente o mesmo que o que tinham aos 30 anos.
Pierre Richard: A esse respeito, cada um faz como pode ou como quer. O Jacques Brel dizia que é preciso talento para não morrer adulto. Pessoalmente, eu acho que tenho esse talento. Mas claro que isso também comporta inconvenientes. De qualquer forma, todas as cinco personagens idosas do filme têm ainda ainda aquela capacidade de maravilhamento e de indignação, como a personagem do Guy Bedos que continua a ser um apoiante das causas sindicais. E todos continuam a ter pulsões sexuais, e comem e bebem com prazer. É um filme com um tema muito grave, mas que também o sabe tratar de forma ligeira.
Fugir do lado deprimente da velhice
Pierre Richard: É verdade que, na minha idade, poderia ser deprimente interpretar uma personagem fustigada pelos dramas da velhice, mas felizmente houve algo que me afastou de todo esse lado dramático, que é o facto do filme ter muito humor, muita vida e muita esperança. Mesmo assim, era preciso que eu me afastasse um pouco, porque a doença não é muito agradável, embora no início do filme seja tratada com alguma graça antes de se tornar mais dramática. Mas felizmente o argumento do filme faz rir e sorrir.
Um elenco de luxo
Stéphane Robelin: Acho que o mais difícil não foi conseguir convencer este elenco excepcional a participar, foi mesmo conseguir equilibrar as agendas de todos para que todos conseguissem estar ao mesmo tempo no plateau. Convencê-los não foi assim tão difícil porque um ator gosta ou não gosta de um argumento e quer ou não quer fazer parte da aventura de filmá-lo. Agora, é verdade que é um elenco que não se vê todos os dias. Felizmente, eles adoraram o argumento e a ideia de fazer um filme coral com colegas da mesma geração. Jane Fonda e Geraldine Chaplin
Pierre Richard: Bom, claro que apesar de termos todos muita experiência, é um pouco difícil não se ser esmagado pelo passado de Jane Fonda e de Geraldine Chaplin, não pelo que elas já fizeram mas também por serem filhas de quem são, Henry Fonda e Charlie Chaplin. Mas claro que eu não as quis maçar com perguntas sobre os pais ou as pessoas que elas conheceram. Mas de vez em quando, a Jane Fonda falava casualmente daquela vez em que tinha visitado o Michael Jackson e eu dizia «O quê?», mas depois continha-me. Tive de me ir contendo para não passar a vida a perguntar como era esta e aquela pessoa. Mas a verdade é que elas são tão simples, que não tive problemas. Aliás, foi a Jane Fonda que três dias antes da rodagem me disse «Pierre, importas-te que ensaiemos um pouco depois do almoço, porque tenho algum receio da minha primeira contracena contigo?. Era ela que tinha receio da contracenar comigo, o que é um pouco surreal, convenhamos.

ESTRÉIAS DA SEMANA
 
 
"O Homem de Ferro 3”
“E Se Nós Vivêssemos todos juntos?”
“No”

AGENDA


*Cineclube Alexandrino Moreira: Dia 29/04, em parceria com a ACCPA, será exibido o filme “Sua Única Saída” de Raoul Walsh, clássico produzido em 1947. No elenco, Robert Mitchum. O filme será exibido às 19 h, entrada franca e debate após a exibição com críticos da ACCPA.


*Cine Olympia: O filme “A Estrangeira” está em exibição até 02/05 (com exceção do dia 29) às 18:30 h com entrada franca. O filme ganhou dois prêmios no Festival de Cinema de Tribeca e mostra a história de Umay, uma jovem mulher de descendência turca que luta por uma vida independente na Alemanha contra a resistência de sua família. Apoio: Instituto Goethe. Na sessão Cinemateca, domingo dia 28, será exibido “Os Melhores Anos do Resto de nossas Vidas” de William Wyler, produção de 1948 vencedora de vários “Oscar”. Sessão às 15:30h.Entrada franca.

*Cine Líbero Luxardo: Programação dupla de alta qualidade em exibição desde quarta-feira (dia 24).“No” de Pablo Larrain mostra a história do plesbicito que em 1988 pôs fim a ditadura de 15 anos de Augusto Pinochet no governo do Chile e foi indicado ao “Oscar” de melhor filme estrangeiro. No elenco, Gael Garcia Bernal. Exibição : dias 24 a 26/04 (quarta a sexta feira): 21h, 27 e 28/04 (sábado e domingo): 16h30, 02 e 03/05 (quinta e sexta feira): 21h, 04 e 05/05 (sábado e domingo): 16h30 . “E Se Vivéssemos todos Juntos?” tem Jane Fonda e Geraldine Chaplin no elenco. Exibição : dias 24 a 28/04 (quarta feira a domingo): 19h, 02 a 05/05 (quinta feira a domingo): 19h.


*Cine Saraiva : “Lúcio Flávio :O Passageiro da Agonia” de Hector Babenco será exibido no dia 02/05 às 19h com entrada franca e debate com críticos da ACCPA. É um dos grandes filmes brasileiros dos anos 70 que marcou a carreira do cineasta Babenco que anos depois faria “Pixote” e “O Beijo da Mulher Aranha”.

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