CINE TROPPO
Marco Antonio Moreira Carvalho

Lançamentos da Semana Caso não haja alterações de última hora, as estréias da semana são “Os Vingadores”, “Sete Dias com Marilyn” e “Um Conto Chinês”.
Em “Os Vingadores” quando um inimigo inesperado surge ameaçando a segurança global, Nick Fury (Samuel L. Jackson), diretor da agência internacional de paz conhecido como SHIELD, recruta uma equipe para livrar o mundo de uma possível destruição: Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Capitão América (Chris Evans), Thor (Chris Hemsworth), Hulk (Mark Ruffalo), Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e Viúva Negra (Scarlett Johansson). O filme é baseado na popular série de revistas em quadrinhos da Marvel "The Avengers”, publicada pela primeira vez em 1963. A produção de Os Vingadores: The Avengers começou em 25 de abril de 2011, em Albuquerque, no Novo México, onde a produção filmou no Estúdio Albuquerque e em várias locações dentro e fora da cidade. Outras locações incluíram Wilmington, em Ohio; Worthington, na Pensilvânia; Cleveland, em Ohio e a cidade de Nova York. As filmagens duraram um total de 93 dias. O filme será exibido em 3D e 2D.
“Sete Dias com Marilyn” é inspirado no livro escrito por Colin Clark, 'The Prince, The Show Girl and Me: Six Month on the Set with Marilyn and Olivier”. A famosa atriz Marilyn Monroe (interpretada por Michelle Williams, indicada ao “Oscar”) está em Londres pela primeira vez para filmar "O Príncipe Encantado". Colin Clark (Eddie Redmayne), o jovem assistente do prestigiado cineasta e ator Laurence Olivier (Kenneth Branagh), sonha apenas em se tornar um diretor de cinema, mas logo viverá um romance com a mulher mais sexy do mundo. O que começa como uma aventura amorosa mudará a vida do jovem Colin.
“Um Conto Chinês” é uma co-produção Argentina/Espanha que tem como o protagonista o excelente ator Ricardo Darín (O Segredo dos seus Olhos).No filme, acompanhamos a vida de Roberto, um veterano da Guerra das Malvinas que vive recluso em sua casa há vinte anos e coleciona manias. De repente, aparece na sua vida Jun, um chinês que acabou de ser roubado e está perdido na cidade. Roberto não fala chinês e Jun não fala espanhol. Apesar das diferenças e dificuldades Roberto e Jun descobrirão o real motivo deste encontro inusitado. Belo filme que deve fazer sucesso entre público e crííiica. Direção e Roteiro de Sebastian Borensztein.

OLIMPIA 100 ANOS Creio que a minha primeira visita ao Olímpia foi para ver “O Mágico de Oz”. Antes tinha ido ao Iracema ver “Branca de Neve e os 7 Anões”(onde preferi espiar da sala de espera levantando a cortina pois tive medo da fantasmagoria Disney na escuridão) e ao Moderno ver um filme de guerra onde aviões de combate pareciam aves desgarradas (seria o célebre “Anjos do Inferno”de Howard Hughes ?). Por morar na S.Jeronimo (hoje José Malcher), entre Dr. Moraes e Benjamin, ir ao Olímpia era andar menos. O único cinema que atingia a pé. Via de regra comprava bala (ou bombom) de menta (chamado Pipper) e sentava na 4ª.fila, lado direito de quem entra, perto do corredor lateral. Não perdia as matinais de domingo. E nos chamados dias úteis ia à sessão das 15 horas, exceto aos sábados, quando preferia a Vesperal Passatempo de 17 h. Procurava evitar as vesperais de domingo, e era estranho pois a sessão ganhava apoio dos estudantes e era onde se namorava além do permitido pela censura castradora. Rir do Gordo e o Magro, de Carlitos (especialmente de “Tempos Modernos”), de Harold Lloyd, de algumas “screw Ball” era comum. Chorar talvez fosse mais difícil. Mas chorei, embora não lembre de lágrimas derramadas quando garoto. Parece que desentupi o canal lacrimal com a maturidade, achando triste o fim de Gelsomina em “La Strada”, de Cabiria na mesma onda, da surda-muda Belinda, sei mais de quantas personagens que sofriam na tela(a maioria mulher). Certo: “A Felicidade Não se Compra” não estreou na casa centenária do Largo da Polvóra. Foi no Moderno (Largo de Nazaré). Mas “2001” foi no Olimpia. A ficção cientifica que elegi desde bem pequeno como gênero favorito, atracou ali muitas vezes: “Destino à Lua”, “A Conquista do Espaço”, “O Monstro Magnético”,”O Homem do Planeta X”, “Planeta Vermelho”, até chegar a “Planeta dos Macacos” e coisas coloridas e esticadas(scope). No dia 24 de abril de 2012, o Olímpia(que eu teimo em escrever com “i”, como escrevia ao longo dos anos), comemorou o seu centenário. Escrevem “o primeiro centenário”. Benditos profetas. Oxalá eu ainda veja mais anos acima desses cem. E tenha a graça de encontrar mais filmes inéditos, projetados em película. Sim, pois a projeção digital no caso só em data show. Parabéns Olimpia. Tomo fôlego e sopro suas cem velas.(Pedro Veriano)

 E OS 100 ANOS CHEGARAM : OLYMPIA
Em meio a falas e discussões durante a semana, esta semana chegou hoje o grande dia do Cinema Olympia: 100 anos de pé em meio à intensa circulação de pessoas de novas e velhas gerações. As plumas e paetês do início do século, usadas por frequentadores/as da casa para saudar uma tecnologia mais sofisticada chegada a Belém pelas mãos de empresários interessados em aumentar seus lucros no finzinho da “bella-epoque”, se transformaram em intensos debates, agora para saudar o feito e o significado de uma casa de cultura, testemunha de tantos fatos sociais, políticos e pessoais, permanecendo no mesmo local e ainda mais comprometida com a tradição da cidade. Se as questões levantadas ao longo de tantas entrevistas, de exposições públicas em seminário sobre esta sala tenderam a centrar-se nos fatos pesquisados sobre os modos de vida e a circulação de espectadores do início do século na cidade de Belém quando o Olympia foi criado, mesclaram-se interesses em outros assuntos originados nesses cem anos em que a tecnologia da arte cinematográfica subverteu e aprofundou o modo de reprodução das imagens saidas do cinematógrafo de Louis e Auguste Lumière. Não faltaram, também, perguntas sobre a resistência ao seu fechamento depois de tantas décadas que evidenciaram tensões pela decadência de objetos e equipamentos demonstrativos da falta de conservação da casa. E o que a pesquisa e a memória histórica têm evidenciado reflete a persistência da população da cidade em reaver o esplendor do cinema nos moldes de cada época. Se os estudantes paraenses da década de 1940 pleitearam a meia-entrada como beneficio de sua condição e conseguiram a sensibilidade do então proprietário do cinema, haja vista que esse privilégio já vinha sendo distribuido para a categoria em outras cidades brasileiras, os da década de 1950 também fizeram seu protesto, então pela melhoria das instalações precárias argumentando que outras casas do tipo, em outras capitais, já apresentavam poltronas estofadas e ar refrigerado. Com 600 lugares e, geralmente, casa cheia quando os programas eram filmes do gênero chanchada (brasileira), tornava-se improducente curtir a sessão sem boa qualidade do ambiente. As sessões extras do tipo “Vesperal Passatempo” (17 h aos sábados) e “Última Chance” (com a exibição de filmes já exibidos e tendo percorrido os cinemas dos bairros) também às 17h, criados pelo gerente desse cinema, Adalberto Augusto Affonso, com a finalidade de chamar a atenção do público que áquela altura tinha outros espaços para escolher suas preferências, o cinema Olympia mantinha-se fiel a uma programação de qualidade demonstrando que jamais perdera o “aplonb” para espectadores das citadas“plumas e paetês”, agora o frequentando numa indumentária mais simples, onde o império das calças jeans e os chinelões passaram a conviver democraticamente. A almejada reforma da sala de proejeção só foi alcançada quando inaugurou o Cine Palácio, edificado por empresários locais. Precisamente em 1960 o Olympia passou a ter as suas poltronas estofadas e ar condicionado. E suas estréias, que figuravam na base de 3 filmes por semana converteram-se em apenas uma como, na maioria das cidades do país. As novas técnicas como o cinemascope, o som estereofônico, e os gêneros de filmes foram se adaptando (e gerando) novas faces culturais. As sessões “cinema de arte” são exemplo ilustrativo de mudanças. De público e de comportamentos. Os mais intelectualizados e letrados nas artes circulavam nesse espaço nas manhãs de sábado, com as mulheres jovens tratando de estimular seu visual com as idéias de uma moda “subversiva” de Mary Quant – em que a minissaia figurava como vetor de imposição de costumes e as cores chamadas psicodélicas contribuiam para isso –justapunham-se ao comportamento dessa geração “que amava os Beatles e os Rolling Stones” e gerenciava outros tipos de saberes mais entrosados com os costumes da contemporaneidade. Estes queriam entender o cinema, a técnica da linguagem, o modo de conviver com as mudanças da geração Woodstok. Mas os empresários começaram a sentir os efeitos de concorrências das novas mídias como a TV, o video (VHS e depois DVD), com a pirataria do gênero e, principalmente, a falta de segurança nos cinemas de rua. Migrou-se para os shoppings. E o Olympia, como outros espaços do tipo, foi relegado por seu proprietário. Veio o clamor público e a intervenção da PMB. Hoje é Espaço Municipal Olympia. E resiste. E ganha a homenagem que merece por sualongevidade. Parabéns cinema Olympia. Por tudo o que nos brindou nestes 100 anos. Você merece! (Luzia Álvares)

AGENDA
*Cineclube Alexandrino Moreira: Segunda, dia 30/04, será exibido o clássico “Rastros de Ódio” de John Ford com John Wayne numa homenagem ao crítico de cinema Alexandrino Moreira que faria 80 anos agora em abril.A exibição acontecerá às 19h com entrada franca e debate após a exibição com críticos da ACCPA.
*Cine Olympia: Dentro das comemorações do centenário do cinema Olympia, está em exibição o filme “O Artista” que ganhou o “Oscar” de melhor filme este ano. É uma bela homenagem ao cinema e tem tudo que haver com este momento de comemoração do aniversário do Cine Olympia. “O Artista” será exibido até o dia 06/05 (exceto segunda-feira) sempre às 18:30h com entrada franca.
*Cine Líbero Luxardo: "Um Conto Chinês” é o filme da semana. Confira maiores informações na seção ESTREIAS DA SEMANA. O filme será exibido de 25 a 28/04 (19h). dia 29/04 (17h e 19h), dias 02 a 05/05 (19h) e dia 06/05 (17h e 19h) .
*Cine Estação: Depois de “A Separação”, o cine Estação anuncia para o mês de Maio a exibição de “Drive” com Ryan Gosling . Em junho, será exibido “Um Método Perigoso” de David Cronenberg com Michael Fassbander no elenco.
 *Cine Saraiva : Quinta-feira, dia 03/05, será exibido “Os Palhaços” de Federico Fellini às 19h com entrada franca e debate após a exibição com críticos da ACCPA.

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