CINE TROPPO - SEMANA DE 03 À 09/02/12


CINE TROPPO
Marco Antonio Moreira Carvalho
Lançamentos da Semana
Caso não haja alterações de última hora, as estréias da semana são “Romances Anônimos, “A Filha do Mal”, “A Bela e a Fera 3D” e “Viagem 2: A Ilha Misteriosa” (3D).
“Romances Anônimos” tem na direção Jean-Pierre Améris, mesmo diretor de “Eu me chamo Elisabeth” e “Más Companhias”. No filme, Angélique é uma talentosa confeiteira, que faz chocolates reconhecidos por todos. Entretanto, ela prefere o anonimato e finge ser apenas uma entregadora, para depois ser surpreendida com o convite para jantar de um admirador, Jean-René. O problema é que ele é extremamente tímido e possui muitas dificuldades em manter contato com outras pessoas. No elenco, Benoît Poelvoorde e Isabelle Carré.
“Filha do Mal” mostra a história de uma mulher que foi convencida de que a mãe matou três pessoas após enlouquecer. Quando descobre que os assassinatos eram parte de um ritual exorcista, ela parte com uma equipe para filmar um documentário.No elenco, a brasileira Fernanda Andrade, Simon Quarterman e Evan Helmuth.
“A Bela e a Fera”(3D) é a versão da Disney em desenho animado lançada em 1991 e que agora volta aos cinema restaurado em 3D. O filme conquistou seis indicações ao “Oscar”, incluindo a de Melhor Filme - um feito inédito para um filme de animação, vencendo dois “Oscar” (Melhor Canção e Melhor Trilha Instrumental). .
“Viagem 2” é a sequência do sucesso mundial de 2008 “Viagem ao Centro da Terra” e começa quando o personagem Sean capta uma mensagem codificada vinda de uma ilha misteriosa localizada em um ponto onde não deveria haver nada. Um lugar com formas de vida estranhas, montanhas de ouro, vulcões mortais e diversos segredos surpreendentes. Sem conseguir impedi-lo de ir, o novo padrasto de Sean parte com ele na viagem.O filme será exibido em 3D.

QUADRO DE COTAÇÕES / ACCPA
FILMES MARCO MOREIRA PEDRO VERIANO LUZIA ÁLVARES
“J. Edgar” Muito Bom/Bom/Muito Bom
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“Os
Descendentes” Bom Bom Razoável
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“Os Homens
que não Amavam
as Mulheres” Bom/Bom/Bom
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“Paisagem
na Neblina” Excelente/Excelente/Excelente
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“O Passo
Suspenso
da Cegonha” Excelente/Muito Bom/ -
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“Missão do
Gerente de
Recursos
Humanos”
(DVD) Excelente/Muito Bom/Excelente
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Crítica/”A Árvore da Vida”
A Árvore da Vida (The Tree of Life, EUA, 2011), escrito e dirigido por Terrence Malick, é complexo, mas é inteligível. O título, no original e em português, já é um indicativo da abrangência do tema; uma árvore tem raízes, tronco e galhos com frutos e folhas que se projetam em várias direções; a pretensão do autor é claramente ambiciosa. O drama começa com a tragédia da perda de um filho de um casal que tinha três, história da vida de pessoas comuns e, talvez, uma das características que torna o filme bem aberto para apreciações diversas dentro da complexidade que vai sendo incorporada progressivamente. A década de 1950 é a referência temporal básica.
O sofrimento da mãe, o arrependimento e sentimento de culpa do pai pelo tratamento que dispensara ao filho começam a adensar a análise sobre a existência, que avança, praticamente sem atingir limite, em especulações psicológicas, filosóficas e religiosas.As imagens do universo em fúria, em formação e se organizando, a origem, evolução e destino da matéria inerte e da vida, acompanhadas de imagens exuberantes, dão uma pausa à narrativa da tragédia humana, mas em seguida incorporam-se à busca de significado para a existência humana, à beleza da vida e às incertezas. Nem tudo no filme é para ser explicado, mas é para ser sentido no campo da emoção pura.
Os retornos à formação da família, ao namoro, à gravidez, ao nascimento, à realidade mais próxima das pessoas, ao cotidiano, às alegrias do convívio, à apreciação da natureza, trazem de volta a narrativa sequencial, em retrospecto; o passar inexorável do tempo, não há volta.O’Brian (Brad Pitt) educa os filhos de modo rígido, chega a ser violento, sendo que Jack (Hunter McCraken), o filho mais velho, adolescente, é o alvo principal de ações paternas agressivas. O crescimento de Jack e dos irmãos se faz, nos primeiros tempos, acompanhado de carinho, carícias da mãe, a Senhora O’Brian (Jessica Chastain), de brincadeiras alegres e descontraídas das crianças e depois, de descobertas sobre o corpo e os próprios sentimentos, da percepção da espiritualidade, de cobranças e da imposição de limites.
A rigidez paterna causa forte reação de Jack que chega a desejar a morte do pai, ideia levada ao extremo de pensar em causar um acidente para matá-lo, oportunidade que surge quando O’Brian está debaixo de um automóvel suspenso por um macaco: bastaria um toque no macaco para o carro cair em cima do homem. A grosseria de O’Brian também leva a conflitos com a mulher a ponto de atingirem enfrentamento físico. Conselhos paternos atravessados são dados a Jack sob a alegação de que o pai se frustrou por ter sido passivo.A morte e o sofrimento, a angústia, a insegurança, a incerteza, entram em análises verbais acompanhadas por imagens pertinentes ao discurso em sequências impregnadas de um sentimentalismo racional, construídas com bela fotografia e música incorporada em harmonia com o conteúdo e o ritmo da narrativa; a música é fundamental nas cenas de criação e expansão do universo. Na verdade, a fotografia, dirigida por Emmanuel Lubezki, a música de Alexandre Desplat e os sons de um modo geral, são essenciais para a harmonização de toda a diversidade imaginada por Terrence Malick.
Em sermão que se pode qualificar como pessimista, mas também realista, um sacerdote força os presentes a ouvirem reflexões que levam à frase síntese: “O infortúnio acontece aos bons também.”Avançando no tempo, Terrence Malick leva o espectador a acompanhar Jack (Sean Penn) em fase adulta, transportando-o para o tempo atual com toda a carga dos conflitos pretéritos e mais a frieza do mundo moderno; inquieto e inseguro, Jack se debate em uma busca que o leva a inusitados locais até se encontrar com toda a família, em momentos emocionantes, carregados de símbolos, lembranças construídas com imagens de pessoas tranqüilas, enternecidas, intercaladas com vistas independentes da natureza. Os pais e Jack são apresentados em idade adulta e os irmãos ainda crianças. A música reforça o clima de harmonia. No final, Jack, na atualidade, um mundo de concreto, metálico e de arranha-céus, finalmente esboça um sorriso.
A árvore construída por Terrence Malick, de muitas raízes, ramificações e muitos galhos, gerou e deverá continuar gerando muitos frutos. (Arnaldo Prado Junior)

AGENDA
*Cineclube Alexandrino Moreira: Em homenagem ao grande cineasta Theo Angelopoulos, a ACCPA em parceria com IAP exibe amanhã “O Passo Suspenso da Cegonha”, filme realizado em 1991 com Marcelo Mastroianni e Jeanne Moreau no elenco. Um jovem repórter enviado para a fronteira da Grécia, descobre uma outra vida. Na pequena vila que é quase o fim do mundo, vivem refugiados de diferentes nacionalidades. Eles têm só um sonho: partir para recomeçar a vida em outro lugar. Um senhor idoso que vive ali , intriga o repórter: ele pensa reconhecer nessa face uma personalidade política que desapareceu há algum tempo. O filme será exibido às 19h com entrada franca e debate após a exibição.
*Cine Olympia: A mostra “Cinema e Carnaval” está em exibição. Hoje, será exibido em último dia, a comédia “Aviso aos Navegantes”(1950) de Watson Macedo com Oscarito e Grande Othelo às 18:30 h com entrada franca.
*Cine Líbero Luxardo: Dentro da mostra de melhores filmes de 2011, promovida pela ACCPA, hoje será exibido o filme “A Árvore da Vida” de Terrence Malick, eleito o melhor filme do ano passado. O filme será exibido às 15:30 e 18:30h. Entre a primeira e segunda sessão do filme, haverá um debate dos críticos da ACCPA com o público. Entrada franca.
*Cine Estação: “Romances Anônimos” de Jean-Pierre Améris, está em exibição desde dia 02/02. O filme foi indicado ao César 201 e será exibido hoje às 10h, 18h e 20h30.


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