CINE TROPPO - SEMANA DE 01 À 07/11/13

Cine Troppo
Marco Antonio Moreira Carvalho

ACCPA - 50 ANOS DE CRITICA DE CINEMA
A crítica de cinema fazia parte de um jornal ou revista a partir do que fazia André Bazin na França e os redatores do “Variety” nos EUA. Por aqui a moda (e era) ganhou espaço quando ainda se sentia efeitos da época dourada da borracha e o cinema deixava de ser um brinquedo inconsequente dedicado à classe menos favorecida. Surgia o cinema Olympia como espaço “de luxo” para a burguesia ainda banhada no lucro da goma elástica e no folheto que trazia a programação da casa o poeta Rocha Moreira comentava filmes de forma muito pitoresca, usando títulos como motivo para saudar frequentadoras das “matinês” e “soirées”. Mas eu sempre pensei em crítica local a partir da coluna “Palcos e Telas” que o bancário Theodoro Brazão e Silva publicava em “A Folha do Norte” atendendo aos pedidos do diretor do órgão, Paulo Maranhão. Theodoro dividia de forma explicita o que era “filme comercial” e “de arte”. Eu, garoto, aprendia que “O Diabo Branco”, capa—espada italiano com Rossano Brazzi, era um típico “filme comercial” e na época isso queria dizer que nada tinha para a cabeça do espectador. Cabeça, por exemplo, era o surrealismo de René Clair. Brazão contava até como se vestia para ver uma “fita” e se chovia ou era noite estrelada na hora do programa. Com isso ganhava um público que se ressentia da falta de colunismo social. Mas o critico pioneiro não estava só, exceto na regularidade de seu trabalho. Muitos intelectuais escreviam sobre cinema, a maioria a pedidos do exibidor que visava alardear as qualidades de determinado filme. E nesse grupo já despontava Adalberto Affonso que de empregado do cinema Guarani ganhou promoção e chefiar o Olympia e satélites (muitas casa de bairros) da empresa Teixeira & Martins depois Cinematográfica Paraense Ltda e por fim Empresa de Cinema S. Luiz Ltda. Esta semana se comemora 50 anos de uma associação desses críticos. Foi em 1963 que os jornalistas de Belém atuantes desde o final dos anos 1950 resolveram se unir em uma associação que além de ajudar na troca de ideias de alguma forma estabilizava seus afazeres (nem digo emprego pois alguns escribas não eram funcionários dos jornais que publicavam seus textos).Em 1983 consegui editar o livro “A Critica de Cinema em Belém”(SECDET/Falangola Editora). Nesse ano já se comemorava o vigésimo de atuação do grupo fundador da APCC(Associação Paraense de Críticos Cinematográficos), composto por Acyr Castro(“A Província do Pará”), Edwaldo Martins(mesmo jornal), Alberto Queiroz(“O Liberal”), João Paulo Macedo(“Folha do Norte”), Ariosto Pontes(Rádio Clube do Pará) e Rafael Costa(“Jornal do Dia”). Cada membro representava um jornal. Do grupo sobrevive Acyr e Ariosto. Eu peguei o bonde andando na coluna do primeiro em “A Província...” e depois que ele partiu para São Paulo assumi o posto por nada menos de 35 anos. Dos primeiros tempos também estão Arnaldo Prado Jr, João de Jesus Paes Loureiro, Isidoro Alves, Ronaldo Barata e outros de passagem muito curta pelos órgãos que os abrigaram como Nelson Townes de Castro (“Folha do Norte”). A APCC gerou um cineclube em novembro de 1969. Não era o primeiro. Antes houve o CC-Espectadores (1955),“Os Neófitos”(1961) e o da Casa da Juventude. Com a minha persistência, alugando filmes das filiais de distribuidoras a atuando em diversos espaços, mantive o clube por 15 anos, gerando os cinemas 1, 2 e 3. Nos finais de ano reuniam-se os críticos para escolher os melhores filmes exibidos no período. O critério de escolha vinha do exterior e se compunha de 10 títulos com o primeiro colocado somando 10 pontos(citações)e o décimo 1 ponto. Esta reunião, que persiste agora quando a associação mudou o nome para ACCPA (Associação de Críticos de Cinema do Pará), serve também de festa de confraternização posto que se efetua em época natalina. E realmente é uma festa de amigos embora em pelo menos um ano (1981) a polêmica em torno de um titulo tenha gerado uma briga (hoje lembrada como uma comédia não votada). Presidida por Marco Antonio Moreira Carvalho, que desde criança acompanhou a entidade seguindo seu pai, Alexandrino Moreira (que fazia parte da associação e que mantinha coluna de comentários sobre lançamentos de filmes em “O Liberal”), a então APCC chegou a ser presidida por mim e Luzia Álvares. Hoje o Marco também assume a faixa cineclubista programando em vários espaços e por ironia o próprio Olympia de onde surgiu o embrião critico através de outro Moreira (o Rocha). São 50 anos ativos. E se vai comemorar com uma semana de filmes contemplados pelos sócios em décadas específicas: ”A Balada do Soldado”(anos 60), “Laranja Mecânica”(anos 70), “A Rosa Púrpura do Cairo”(anos 80), “Asas do Desejo”(anos 90) e “A Arca Russa”(anos 2000/09). A partir de 1° de novembro no Olympia. (Pedro Veriano)

ESTREIAS DA SEMANA
 

“Pietá” de Kim Ki Duk - Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza 2012, ''Pietá' revela um mundo violento e desumano a partir da relação entre um criminoso e sua mãe que tenta humanizá-lo.

“Thor : O Mundo Sombrio”: Thor (Chris Hemsworth) e Jane Foster (Natalie Portman) terão que se adaptar a nova dinâmica intergalática, causada pela ausência de Odin (Anthony Hopkins).


AGENDA
*Cineclube Alexandrino Moreira :
Dia 11/11 – “Fellini Oito e Meio” de Federico Fellini. Sessão às 19h. Entrada Franca. Debate após a exibição.
Dia 25/11 – “Os Esquecidos” de Luís Buñuel. Sessão às 19h.
*Cine Olympia:
De 01 à 07/11 (exceto dias 02 e 04) – “Festival de 50 anos da ACCPA(Associação dos Críticos de Cinema do Pará)” – Dia 01 – “A Balada do Soldado”/Dia 03 – “Laranja Mecânica” de Stanley Kubtrick/Dia 05 – “A Rosa Púpura do Cairo” de Woody Allen/Dia 06 – “Asas do Desejo” de Win Wenders/Dia 07 – “Arca Russa” de Alexander Sokurov. Sessão às 18:30h. Entrada Franca.
*Cine Líbero Luxardo:
De 30/10 à 10/11 – “Pietá” de Kim Ki Duk. Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza 2012, ''Pietá' revela um mundo violento e desumano a partir da relação entre um criminoso e sua mãe que tenta humanizá-lo. Dia 09/11 – “O Jovem Frankenstein” de Mel Brooks. Sessão Cult às 16h. Debate após a exibição. Dia 13/11 – “Frances Ha” de Noah Baumbach
*Cine Estação: De 13 à 27/11 – “Amor Pleno” de Terrence Malick

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