"O ÚLTIMO REDUTO" É IMPERDÍVEL

“O Último Reduto” de Rabah Ameur-Zaiméche. Com Abel Jafri.
O cinema francês atual não foge do olhar sobre a realidade de seu país. Problemas sociais, econômicos, religiosos, comportamentais. Tudo está sendo registrado. Para alguns, isso pode parecer repetição. Para mim, significa arte. Aqui, o diretor Zaiméche (cineasta de dois bons filmes já exibidos aqui: “Povoado Number One” e “Wesh Wesh”) procura contar uma história onde as questões religiosas se misturam com questões sociais, através de um argumento aparentemente simples: o proprietário de uma empresa de reparos constrói uma mesquita para seus funcionários mulçumanos poderem rezar e assim manter o ritmo de trabalho sem reclamações. Num primeiro momento, ele consegue seu objetivo mais aos poucos, a exploração e as condições de trabalho se voltam contra ele com os funcionários tomando conta de sua propriedade. Narrado de forma realista, mesclando longas cenas de diálogo entre os personagens com diversas cenas onde o silêncio é o destaque, deixando a imagem falar mais diretamente com o espectador, o diretor Ameur-Zaiméche define um estilo de filmar rebuscado, sem concessões ou cenas desnecessárias e acaba por contextualizar politicamente uma história que mostra os possíveis controles que a religião pode revelar ao mesmo tempo que mostra os problemas sociais e de classes que são graves e que estão embutidos nas relações de trabalho que hoje dominam na França (e no mundo). “O Último Reduto” é um filme extremamente político, rico de informações e reflexões que podem parecer óbvias mais que ainda mostram a realidade de um país em constante crise de identidade e que necessita de transformações.Veja sem falta.

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