CINE TROPPO - SEMANA DE 16 À 22/11/12

CINE TROPPO 
Marco Antonio Moreira 

CRITICA DE CINEMA EM BELÉM
Critica de filmes é uma forma de jornalismo advinda da França por volta da segunda década do século passado. Críticos como André Bazin, e através dele a revista Cahiers du Cinéma, passaram a analisar os filmes exibidos. A maioria não era cineasta, mas estudiosa da arte de fazer cinema.Nos anos 30 muitos jornais do mundo inteiro já possuíam colunas dedicadas a comentários de filmes. Em Belém surgiram críticos de ocasião, ou seja, comentaristas avulsos, publicando resenhas, a maioria elogiosa, sobre o que seria (ou iria ser) exibido em cinemas comerciais. Lembro que na estreia de “Branca de Neve e os 7 Anões” os artigos sobre o filme, elogiando a técnica de animação, ganharam páginas de diversos jornais especialmente de “Folha do Norte”. Por sinal que este matutino, dirigido por Paulo Maranhão, foi pioneiro numa coluna regular dedicada a cinema e teatro. Chamava-se “Palcos e Telas” e era redigida pelo bancário Theodoro Brazão e Silva.Em 1955, quando estava ativo o primeiro cineclube da cidade, “Os Espectadores”, um grupo de cinéfilos (na época ganhavam o titulo de “cinemaniacos”) passou a criticar filmes em “A Vanguarda” assinando com letras de seus nomes: A de Acyr Castro, R de Rafael Costa, T de Amilcar Tupiassu e S de Manoel WilSon Penna.Seria o grupo ARTS, polemico e de pouco tempo de vida por conta do protesto de um exibidor que se achava “maltratado” pelos textos. Em 1962 muitos jovens jornalistas escreviam comentários de filmes e ganhavam coluna e às vezes páginas inteiras dos jornais existentes na época: “Folha do Norte”, “A Província do Pará”, “A Vanguarda”, “Estado do Pará”, “Jornal do Dia” e “O Liberal”. Ficavam de fora “O Imparcial” e “Flash”. Os colunistas desses órgãos resolveram fundar uma associação. Surgiu a APCC (Associação Paraense de Críticos Cinematográficos). A primeira reunião, presidida por Edwaldo Martins (“A Província do Pará”) contou com a presença de Acyr Castro(“A Província...”), Rafael Costa(“Jornal do Dia”), Ariosto Pontes (Rádio Clube do Pará, exceção na imprensa falada),Paulo Macedo (“Folha do Norte”) e Alberto Queiroz(“O Liberal”). Anos depois entraram na diretoria Arnaldo Prado Jr , eu, Luzia Miranda Álvares e Alexandrino Moreira. O primeiro escrevia na Página do Estudante de “A Província...”, eu, que havia começado no “Estado do Pará”com meu vizinho Fernando Mendes (1954), passei pelo “O Liberal” e acabei substituindo Acyr em “A Província...”. Luzia estreou em “O Liberal”e Alexandrino, assinando AGM, no mesmo jornal aos domingos. Por sinal que o Acyr chegou a manter um programa de TV que chamou de Telecine. No Canal 2(TV Marajoara). A APCC ganhou um cineclube em 1967. Durou até 1986 quando surgiu o Cine Libero Luxardo. Mas isso é outra conversa. Agora basta dizer que a APCC manteve anualmente relações de melhores filmes exibidos durante o ano e já neste novo século passou a se chamar ACCPA (Associação de Críticos de Cinema do Pará). O segundo presidente da então APCC fui eu,o terceiro Luzia e agora é Marco Antonio Moreira Carvalho filho de Alexandrino. Creio que esta forma de jornalismo no Pará é digna de entusiasmo pelo seu tempo de ação. Claro que fora da orbita da APCC muitos giraram. No jornal católico “A Palavra”, por exemplo,estiveram Antonio Munhoz Lopes e Cláudio Barradas. E houve tempo de poetas: na “Folha...” dos anos 50 o piauiense Mário Faustino e no “O Liberal”dos 60/70 João de Jesus Paes Loureiro. Devo ter esquecido fatos e gente. Não esqueço é da regularidade das reuniões de fim de ano para escolha dos melhores. Gosto de confraternização natalina. Digna de virar tradição alimentada pela saudade de quem já hoje não pode mais se fazer presente.(Pedro Veriano)
TEMPO DE CINEMA E DE PAIXÃO
Minha presença na APCC deu-se no ano em que iniciei a escrever sobre cinema em “O Liberal”, 1972, ou seja, quando essa associação já completara 10 anos, sendo a maioria dos membros, meus conhecidos, e a presidência da entidade era assumida por Pedro Veriano. Nesse período tinhamos um objetivo : a formação de platéias através da ampla divulgação da programação do Cine Clube da entidade e na minha coluna, Panorama, sempre dediquei um espaço para o que eu intitulara de “Cinema Extra”. Pouco tempo depois, houve eleição e me candidatei à presidência e passei a dirigir a APCC, deixando o Cine Clube na gerência de PV. Nesse tempo eu era Representane Norte/Nordeste da Embrafilme com uma carga de trabalho significativa pois, ficava na minha responsabilidade a fiscalização da exibição de filmes , em especial, os nacionais, na região. Como presidente da Associação de críticos aluguei uma sala para a entidade, onde consegui organizar uma biblioteca, cursos de cinema além de projeções e debates. Ficava na Rua Manoel Barata próxima à Presidente Vargas. Lembro que em uma das aulas esteve conosco o diretor de “Macunaima”, Joaquim Pedro de Andrade, e o produtor do filme que ele iria realizar, Sr. César Mêmolo (que eu já conhecia). Foi um momento gratificante, pois eles trataram sobre o cinema novo, sobre o que pretendiam fazer em Belém(afinal o filme “O Homem do Pau Brasil” sobre Oswald de Andrade). As reuniões para a escolha dos melhores filmes do ano ocorriam (como continuam a acontecer) em minha casa. Edwaldo (Didi) Martins presidia as primeiras. Uma festa de confraternização natalina poucas vezes quebrada por polêmica (só lembro a que se fez em 1981, mas as desavenças não chegaram a macular a amizade dos associados).Hoje, com mudança na ordem das letras - agora é ACCPA – os críticos de cinema que de alguma forma atuam na imprensa local possuem entidade reconhecida e projeção nacional. Marco Antonio Moreira é o atual presidente e continua a paixão pelo cinema que tinha seu pai, Alexandrino Moreira. Esta paixão norteia reuniões e impulsiona nosso trabalho. Não fosse assim e eu estaria a mercê de tanto filme medíocre para tratar sobre o que é oferecido ao público. Afinal uma das funções básicas do/a critico/a. (Luzia Miranda Álvares)

ESTREIAS DA SEMANA 
“A Saga Crepúsculo – Amanhecer (Parte 2)

PRÓXIMOS LANÇAMENTOS 

“Cosmopólis” de David Cronenberg (Cine Estação)
“Festival de Musicais e Filmes NOIR”(Cine Olympia)

AGENDA 
*Cineclube Alexandrino Moreira: Na programação de dezembro, com o apoio da ACCPA, serão exibidos “Contos da Lua Vaga” de K. Mizogucho (dia 03/12) e “O Sacrífico” de A. Tarkovski (Dia 10/12) às 19h com entrada franca e debate. .
*Cine Olympia: Domingo (dia 18) encerra a mostra de filmes mudos com a exibição do clássico “Nosferatu” de F. W. Muranu (à pedidos) às 18;30 h com entrada franca. De 20 à 25/11, será exibida a segunda parte de filmes musicais com os seguintes títulos e datas :Dia 20/11 - SETE NOIVAS PARA SETE IRMÃOS de Stanley Donen, Dia 21/11 - PAPAI PERNILONGO com Fred Astaire, Dia 22/11 -ESCOLA DE SEREIAS com Esther Williams, Dia 23/11 - AO BALANÇO DAS HORAS de Fred Sears, Dia 24/11 - BUGSY MALONE : QUANDO AS METRALHADORAS COSPEM com Jodie Foster e Dia 25/11 - GODSPELL : A ESPERANÇA.
*Cine Estação: Neste fim de ano, o Cine Estação das Docas exibe um conto visionário e alucinante, “Cosmópolis”, de David Cronemberg, com estreia no dia 9 de dezembro, domingo, em sessão matinal às 10h e sessões noturnas às 18h e 20h30.
*Cine SaraIva : Na parceria da ACCPA com a APC(Academia Paraense de Ciências) será exibido no dia 29/11 às 17h o grande clássico “2001: Uma Odisséia no Espaço” de Stanley Kubrick às 17h com debate após a exibição. Entrada Franca.
*Cine Líbero Luxardo : A sessão Cult voltará com suas exibições normais a partir de dezembro com a exibição de “Antes do Amanhecer” e “Antes do Por-do-sol” com Julie Delpy e Ethan Hawke . Apoio : ACCPA

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