CINE TROPPO - SEMANA DE 21 À 28/12/11


CINE TROPPO
Marco Antonio Moreira Carvalho
Lançamentos da Semana
Caso não haja alterações de última hora, as estreias da semana são “Missão Impossível 4 : Protocolo Fantasma” e “Os 3”
”Missão Impossível 4: Protocolo Fantasma” tem novamente Tom Cruise como protagonista. Acusado pelo bombardeio terrorista ao Kremlin, o agente da IMF Ethan Hunt é desautorizado junto com o resto da agência quando o Presidente dá início ao “Protocolo Fantasma”. Deixado sem qualquer recurso ou apoio, Ethan tem que encontrar uma maneira de limpar o nome de sua agência e prevenir um outro ataque. Para complicar ainda mais as coisas, Ethan é forçado a assumir esta missão com uma equipe de colegas fugitivos da IMF cujos motivos pessoais ele não conhece completamente. No elenco, Jeremy Renner (Guerra ao Terror), Paula Patton, Jonathan Rhys Meyers (Ponto Final), Simon Pegg e Ving Rhames(Pulp Fiction). A direção é de Brad Bird.
“Os 3” foi lançado no Festival de Paulínia, dividiu crítica e público e foi lançado nos cinemas locais na semana passada. No filme, três jovens universitários vindos de pontos diferentes do país se conhecem durante uma festa e tornam-se inseparáveis. Alugam um apartamento juntos e de tão próximos passam a ser conhecidos como "Os 3". Eles passam quatro anos mergulhados nesta amizade, mas com o fim da faculdade, e tendo de seguir adiante com suas próprias pernas, eles aceitam transformar o apartamento em que moram num cenário de reality show, onde tudo está à venda e onde eles mesmos são os personagens. “os 3” é primeiro longa-metragem solo de Nando Olival, co-diretor de “Domésticas”.No elenco, Juliana Schalch, Gabriel Godoy e Victor Mendes.

QUADRO DE COTAÇÕES / ACCPA
MARCO MOREIRA PEDRO VERIANO LUZIA ÁLVARES
“Melancholia” Excelente/Muito Bom/Excelente
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“Happy
Feet 2” Razoável/Bom/ Bom
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“Amanhã
Nunca
Mais” Bom/Muito Bom/Muito Bom
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“Operação
Presente” Razoável/Razoável/Razoável
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“Amanhecer
Parte 1” -/Fraco/Fraco
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“Barry
Lyndon” Excelente/Excelente/Excelente
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Cinema/Crítica : “ A FELICIDADE NÃO SE COMPRA”
A FELICIDADE SE CONSTRÓI
Frank Capra (1897-1994) é conhecido pelos teóricos de cinema como o cineasta de comédias otimistas. Seria o porta-voz da política do New Deal preconizada pelo presidente norte-americano Franklin Roosevelt para vencer a crise econômica de 1929. Dele filmes que de alguma forma marcaram época como “O Galante Mr Deeds”, “Do Mundo Nada se Leva”, “A Mulher Faz o Homem”, “Horizonte Perdido” e “Adorável Vagabundo”. Durante a 2ª,Guerra, Capra foi convocado pelo exército para fazer documentários que justificassem a entrada dos EUA no conflito. Ele, George Stevens, William Wyler, John Huston e poucos mais ganharam postos de coronel e ele, especialmente, fez uma série de documentários chamada “Why We Fight”(Por que nós Combatemos”). Finda a guerra, Capra e colegas (menos Huston) fundaram uma produtora, a “Liberty”. Sorteado o estreante nessa firma ganhou o próprio Capra. E surgiu “A Felicidade Não se Compra”(It’s a Wonderful Life), o primeiro roteiro em que o cineasta colaborou diretamente (junto com Albert Hackett e Frances Goodrich). Seria “bem Capra”, bem otimista, e o mundo, no entender dele, precisava de otimismo para reconstruir uma sociedade abalada com a perda de tantos entes queridos.
Por incrível que pareça, o filme de estréia da Liberty fracassou nas bilheterias e no páreo dos Oscar. Só foi reconhecido anos mais tarde e acabou se tornando uma peça indispensável no Natal americano (via cinemas e TV). Para Capra e o ator James Stewart foi o momento mais significativo de suas carreiras. E se exclama: “Que carreiras!!”. Uma história inspirada num cartão de Natal imaginado por Philip Van Doren Stern. Drama de um homem comum, desesperado na véspera da grande festa cristã por perceber um desvio de verba de sua firma imobiliária. Tenta o suicídio. É socorrido por seu anjo da guarda(Henry Travers) que acha um meio de mudar o pensamento do protegido: fazê-lo ver a sua cidade sem a sua presença, como tudo ficaria se ele não tivesse nascido. Vê-se em uma hora de projeção como um pesadelo do principal personagem. Tudo muda. E ele compreende o seu valor na comunidade, especialmente entre os membros de sua família (afinal quem pede a graça de tê-lo de volta à casa, sem pensar em morrer afogado no rio próximo). No fim, todas as figuras que o herói ajudou aparecem retribuindo essa ajuda com o pagamento (em dobro ou triplo)de sua divida.
Uma fantasia, certo. Mas com o pé no chão. O que se lança de fantástico é um “remédio” para um estado depressivo. E isto em linguagem de cinema ganha dimensão extraordinária quando se opta por uma linha realista. Além da excelente direção de atores há um modelo de linguagem. Pontua-se desde o inicio com desfoques para dizer que o protegido precisa ser visto por um anjo de primeira classe (e não de segunda, como o do personagem). Ganha-se tempo numa edição que não complica a linha acadêmica, apenas a consubstancia com detalhes que vão de oportunos closes(como o de Stewart ao saber que seu irmão, fadado a ficar com a firma do pai falecido não pode fazer isso e cabe a ele, Stewart, engavetar o sonho de conhecer o mundo – close em travelling, uma raridade especialmente para a época,1946)e diferindo da linha das comédias de Capra o vilão, um banqueiro paraplégico interpretado magnificamente por Lionel Barrymore (em si uma critica a cupidez capitalista mui cara ao socialismo róseo dos filmes do autor) não se “redime” como o que se viu em”Do Mundo Nada se Leva”(o tipo foi lembrado na recente animação “Rango”).
Eu comentei com Capra, por carta, este filme que de há muito é o meu preferido. Ele e Jimmy Stewart tinham a mesma cotação. Um cinema para sentir, um cinema para elevar o astral. Não à toa o “filme natalino por excelência.”E para terminar o elogio de Capra ao titulo que o filme mereceu no Brasil. “-Se eu soubesse antes não teria colocado o que eu coloquei”, disse ele. Raridade até nisso.(Pedro Veriano)

*O filme “A Felicidade não se Compra” está em exibição no Cine Olympia até o dia 30/12 com sessão única às 18:30 h.

*Feliz Natal para todos !

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