segunda-feira, 21 de abril de 2008

"A MÚSICA DE GION" NO OLYMPIA


Comemorando os 96 anos de fundação do Cinema Olympia, está sendo exibido até domingo, dia 27, o filme "A Música de Gion", clássico do cinema japonês dirigido por Keiji Mizoguchi(foto), um dos maiores diretores do cinema japonês ao lado de Akira Kurasawa e Yasujiro Ozu. É um belo trabalho que mostra claramente a característica do diretor na sensível caracterização dos personagens e na construção de uma boa história. Poucos filmea de Mizoguchi foram exibidos no Brasil e muito tem ainda para se conhecer de sua obra. Por isso, vale mais ainda ver este "A Música de Gion". Para quem gosta do cinema como arte, imperdível.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

JOHN CASSAVETES VEM AÍ


John Cassavetes é um diretor respeitado e admirado por grande parte da crítica mas no Brasil, pouco vimos do seu trabalho. Por isso, a mostra de filmes dele que será exibida no Cine Líbero Luxardo deve ser acompanhada de perto por quem gosta de cinema. Vamos ficar ligados na programação que começa dia 16/04 e conferir cinco filmes de sua obra que certamente vão confirmar seu talento. Quem reclama da programação de Belém, não pode deixar de ver a mostra. Ficar reclamando é fácil. Vamos sim é incentivar mostras como esta indo ver os filmes..Vamos lá!

'NAÕ ESTOU LÁ" ENTROU E SAIU...E POUCA GENTE VIU


"Não estou Lá" de Todd Haynes é um dos filmes mais esperados do ano e acabou entrando de repente nos cinemas locais. Fracasso de público, o filme saiu de cartaz com apenas uma semana de exibição. De quem é a culpa? Quando vi o filme, num sábado, pouca gente na platéia e durante a exibição do filme, algumas pessoas saindo. Haynes é um cineasta diferenciado que faz filmes com temas e abordagens diferente e aqui, ao contar a história da vida do excelente cantor e compositor Bob Dylan dentro de sua interpretação muito própria, ele mantém seu estilo brilhante. Mas porquê pouca gente viu o filme? O cinema de autor não interessa mais ao grande público? Bob Dylan é um nome pouco atrativo? Enfim, o filme é ótimo. Gostei da abordagem do diretor a obra de Dylan, criando vários atores para interpretar seu personagem. É um dos melhores filmes que vi este ano. Pena que pouca gente viu...

"2001" REVISITADO


Esta edição especial em dvd é excelente para os fãs do filme. A versão apresenta o filme remasterizado, com comentários dos atores Keir Dullea e Gary Lockwood (sem legendas), o trailer original de cinema e extras especiais fantásticos como “2001: O Making of de um Mito”, “ A Perspectiva de Kubrick: O Legado de 2001”, “A Visão de um Futuro Passado: A profecia de 2001”, “2001: Uma Odisséia no Espaço - Um olhar atrás do futuro”, “O que tem aí?”, ”2001: FX e o início de uma arte conceitual, “Olhe: Stanley Kubrick!” e uma entrevista com Stanley Kubrick de 27/11/1966 (somente áudio). Todos os extras são ótimos, mostrando informações preciosas do filme com muitas declarações do escritor Arthur C. Clarke, falecido esta semana , e que foi parceiro de Kubrick no roteiro. Ficou faltando apenas uma coisa rara: os famosos 17 minutos que foram tirados da versão original logo depois das primeira exibição para os produtores em 1968. Na internet, podemos ver algumas imagens destas cenas, mas nada conclusivo. No fim da coisas, esses minutos são tão raros quanto a famosa versão de quase 30 minutos de “Helter Skelter” dos Beatles que todos os fãs procuram até hoje. Mas nesse caso, sabe-se que Paul McCartney tem uma cópia desta versão. Mas quem terá esses minutos cortados de “2001”? Um dia, quem sabe, numa versão especial essa cenas vão aparecer. Enfim, um clássico como “2001” é atemporal. Na minha opinião, é o melhor filme da história do cinema. Logo, esta versão é para ver e rever, sempre.

CHARLTON HESTON ETERNIZADO


O falecimento do ator americano Charlton Heston esta semana lembrou à todos os cinemaníacos das grandes atuações que ele teve no cinema. É inegável o seu talento e sua forte presença em personagens inesquecíveis como nos filmes “Ben Hur” (sua melhor atuação que lhe deu o “Oscar” de melhor ator), “Os Dez Mandamentos” de Cecil B.. de Mille, “A Marca da Maldade” de Orson Welles, “O Maior Espetáculo da Terra” de Cecil B. De Mille, “O Planeta dos Macacos” de Franklin Schaffner e “No Mundo de 2020” de Richard Fleischer. Conhecido pelo seu trabalho em grandes produções, especialmente nos anos 50 e 60, Heston conseguiu deixar sua marca nos personagens de uma forma simples, sem exageros de atuação ou malabarismos cênicos. Por isso, se destacava. Para muitos, ele pode não ser considerado um ator extraordinário mais sem dúvida ele marcou seu nome na sétima arte por tantos papéis importantes. Afastado do cinema há alguns anos, Heston sofria desde 2002 de mal de Alzheimer, uma doença terrível que deve ter levado muito de sua força. Mas no cinema, seu nome está eternizado, para velhas e futuras gerações de cinemaníacos.

'LEÕES E CORDEIROS" DISCUTE A GUERRA


Em "Leões e Cordeiros", três histórias são interligadas pela guerra dos EUA contra o Afeganistão : um senador pretende lançar sua nova estratégia para a guerra e para divulgá-la, precisa convencer uma jornalista famosa de seu projeto, um professor idealista tenta convencer um jovem e promissor aluno a mudar o curso de sua vida e dois soldados que estão em plena batalha tentam se lembrar das razões que os levaram ao campo de luta. Filmes que discutem a realidade americana são raros em Hollywood. Nesse caso, com um roteiro preciso que mostra as contradições dos personagens e a direção segura de Robert Redford (que como diretor quase sempre realiza bons filmes), temos um bom exemplo de cinema político vindo de um país que normalmente não fala de política. A presença de Redford na direção e elenco, reforça a credibilidade da intenção do filme somado a presença da grande atriz Meryl Streep e Tom Cruise, que com a força do seu nome, acabou atraindo um público mais jovem que precisa discutir politicamente os atos de seu país. O filme acabou não sendo um sucesso de público mais nem seria essa a sua intenção. A questão aqui é levantar as mais variadas formas de discussão que envolvem direta ou indiretamente uma guerra, que acaba afetando novas e velhas gerações. Mesmo que não seja um estudo profundo do assunto, é um trabalho válido e importante para o cinema americano no momento que a guerra só parece ser lembrada em época de eleições. É um filme para ser ver, debater e divulgar. Não perca!

"O ASSASSINATO DE JESSE JAMES" MERECE SER VISTO


“O Assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford" merece ser visto nas locadoras já que o filme é inédito em nossos cinemas. Jesse James, um dos mais perigosos bandidos da América planeja mais um grande assalto quando percebe que seus inimigos estão cada vez mais próximos, sem saber que seu maior perigo acaba vindo de um dos homens de sua confiança que faz parte de seu bando, Robert Ford. A história do bandido Jessé James já foi contada várias vezes pelo cinema. Esta nova visão do personagem é brilhante, mostrando a contradição e o carisma do personagem, evidenciando sua personalidade e mostrando seu relacionamento com um jovem que quer entrar no seu bando por pura admiração à ele mas que com o tempo, movido pela inveja e sede de fama, altera seu ponto de vista ao ponto de ser seu maior algoz. Dirigido com brilhantismo por Andrew Dominik, o filme tem belas seqüências, explorando com sensibilidade e sem pressa os elementos da linguagem cinematográfica como a fotografia e a montagem. Em alguns momentos, o filme lembra “Mais Forte que a Vingança”(1973) de Sidney Pollack, na utilização de elementos da relação do homem com a natureza, enriquecendo a trama e as circunstâncias da história. Com boas atuações de todo o elenco, o filme é uma revelação e surpreende. Sem dúvida, um dos melhores filmes do ano. O filme recebeu 2 indicações ao “Oscar” nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante (Casey Affleck) e Melhor Fotografia e deu à Brad Pitt o prêmio de melhor ator no Festival de Veneza.

Coluna Cineclube - Dia 13/10/24